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	<title>Olhos de Sustentabilidade &#187; Brasil</title>
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	<description>por Igor Oliveira</description>
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		<title>Mudando uma Escola</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 18:47:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apresento aqui algumas das minhas iniciativas para tentar tratar de sustentabilidade e de mudança social na Escola de Administração da UFRGS, minha universidade brasileira. Gostaria muito que as ações abaixo pudessem ser aplicadas por outros estudantes que, como eu, creem na grande importância desses temas. 1) Promover o debate: a primeira coisa que tratei de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apresento aqui algumas das minhas iniciativas para tentar tratar de sustentabilidade e de mudança social na <a href="http://www.ea.ufrgs.br/">Escola de Administração</a> da <a href="http://www.ufrgs.br/">UFRGS</a>, minha universidade brasileira. Gostaria muito que as ações abaixo pudessem ser aplicadas por outros estudantes que, como eu, creem na grande importância desses temas.</p>
<p><span id="more-202"></span></p>
<p><strong>1) Promover o debate:</strong> a primeira coisa que tratei de fazer ao voltar para a universidade foi unir forças com o <a href="http://twitter.com/caeaufrgs">Centro Acadêmico</a> local e organizar um debate sobre a formação proporcionada pela Escola de Administração. Convidei estudantes de diversas etapas do curso, ex-alunos, professores, funcionários e empresários para mediar grupos que debateram a importância da inclusão de temas como empreendedorismo, desenvolvimento sustentável e inovação social no currículo do curso. Questões como o papel dos diplomados na sociedade e a interação das atividades de ensino com a realidade foram abordadas com boa profundidade. As ideias que resultaram do debate foram apresentadas à diretoria da Escola.</p>
<p><strong>2) Abordar a sustentabilidade sempre que houver uma chance:</strong> sempre que é proposto um trabalho com temática livre (ou quase livre) nas disciplinas que curso, escolho um tema relacionado à sustentabilidade. Em uma disciplina de Administração de Marketing, fiz uma apresentação sobre <em><a href="http://stopgreenwash.org/">greenwash</a></em> que foi um sucesso! Realizei, junto com meu amigo (e colega de <a href="http://enerbio-rs.com.br/">Enerbio Consultoria</a>) <a href="http://br.linkedin.com/in/brunoperoni">Bruno Peroni</a>, uma palestra sobre oportunidades de trabalho na área de sustentabilidade.<br />
<strong><br />
3) Fundar uma sucursal da Net Impact:</strong> Reuni um grupo de alunos com interesses similares aos meus para fundar uma sucursal da <a href="http://netimpact.org/">Net Impact</a>, uma rede internacional de estudantes e profissionais que mudam o mundo por meio dos negócios.<br />
<strong><br />
4) Escrever uma monografia:</strong> Já conversei com alguns professores a respeito do meu trabalho de conclusão de curso, que deverá ser apresentado na metade do ano que vem. Pretendo ligar finanças sustentáveis e políticas públicas para a sustentabilidade em um texto inovador. Espero que dê certo.</p>
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		<title>De volta a Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 16:37:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cheguei ao Brasil há alguns dias, e gostaria de descrever algumas das impressões que tenho da cidade de Porto Alegre, onde voltei a viver após 13 meses na Europa. A força da cultura do consumo: é notável o desenvolvimento recente dos estabelecimentos comerciais da cidade, que estão mais atentos a nichos e tendências. Tomando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cheguei ao Brasil há alguns dias, e gostaria de descrever algumas das impressões que tenho da cidade de Porto Alegre, onde voltei a viver após 13 meses na Europa.</p>
<p><span id="more-185"></span></p>
<p><strong>A força da cultura do consumo:</strong> é notável o desenvolvimento recente dos estabelecimentos comerciais da cidade, que estão mais atentos a nichos e tendências. Tomando o exemplo dos bares, há uma galopante oferta de locais que oferecem produtos de <em>butique</em>, como cervejas <em>premium</em>. Além disso, foi inaugurado um novo e enorme shopping center na parte sul da cidade, antes uma região mais tranquila. Parece-me, pelas conversas, que as pessoas estão preocupadas em pertencer a categorias sociais aptas a aproveitar esse crescimento do oferecimento de novos e melhores produtos e serviços. Esquecem, talvez, as outras dimensões da vida.<br />
Creio na efemeridade desse fetichismo. Quando surgirem sinais mais fortes de atenuação da desigualdade social no Brasil, outras formas de manifestação individual e coletiva devem emergir.</p>
<p><strong>O desaparecimento da gentileza:</strong> o trânsito de Porto Alegre é uma expressão da avidez individualista que predomina entre os emergentes habitantes dessa metrópole. É uma tal de disputa por chegar mais rápido, ascender mais rápido, que acompanha um pragmatismo cruel nas relações entre as pessoas. Não há motivos para agradecer se nunca mais nos virmos.</p>
<p><strong>A ineficiência, apesar de tudo:</strong> todos correm, mas demoram. A cada serviço que contrato, a prestação demora o dobro.</p>
<p><strong>As sementes de boas novidades:</strong> no campo político, algumas iniciativas merecem atenção. Há um <a href="http://www.betomoesch.com.br">vereador</a> que promete disseminar cultura ambiental na cidade, um <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&#038;local=1&#038;section=Geral&#038;newsID=a2655152.xml">cerco à corrupção</a> no governo do Estado, uma <a href="http://www.novosinal.com.br/">campanha genial</a> pelo respeito às faixas de segurança, e a intensificação de movimentações da sociedade civil organizada. Estive em um <a href="http://www.marketingbusiness.com.br/poacidadecriativa/">seminário</a> intitulado &#8220;Cidade Criativa&#8221;.<br />
As artes parecem estar um pouco mais presentes. Logo tem <a href="http://www.fundacaobienal.art.br/">Bienal do Mercosul</a>.</p>
<p>Essas novas vibrações, combinadas com a florescência econômica, me fazem crer: é um bom momento para estar aqui.</p>
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		<title>O carro e a taxa</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 01:52:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Iochpe perguntou, comentando o texto anterior, se uma realocação tributária sustentável funcionaria no Brasil. Citou o exemplo alemão presente no Plano B, de Lester Brown: um corte nos tributos trabalhistas compensado por um aumento na carga tributária das tarifas energéticas. Genial, diz ele. Respondo que a política tributária é mesmo um instrumento poderoso de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://twitter.com/eiesf">Iochpe</a> perguntou, comentando o texto anterior, se uma realocação tributária <em>sustentável</em> funcionaria no Brasil. Citou o exemplo alemão presente no <a href="http://www.earth-policy.org/Books/PB3/index.htm">Plano B</a>, de Lester Brown: um corte nos tributos trabalhistas compensado por um aumento na carga tributária das tarifas energéticas. Genial, diz ele.<br />
Respondo que a política tributária é mesmo um instrumento poderoso de promoção da sustentabilidade, que pode funcionar em qualquer país, se respeitadas as devidas particularidades. Aproveito para observar alguns exemplos de ações nesse campo, especialmente no que diz respeito a automóveis.</p>
<p><span id="more-76"></span></p>
<p>As chamadas soluções pigouvianas são um instrumento de correção de falhas de mercado relacionadas à não-incorporação de externalidades ao preço dos bens. Quando abastece seu automóvel, o consumidor não paga por todos os custos socioambientais gerados pela produção do combustível. Como <a href="http://www.earth-policy.org/Books/PB3/PB3ch1_ss2.htm">sublinha o próprio Lester Brown</a>, os custos das mudanças climáticas não estão inclusos nos preços dos combustíveis fósseis, o que incentiva pessoas e organizações do mundo todo a utilizar massivamente tais produtos.<br />
O papel do Estado é corrigir essa disfunção, carregando os derivados do petróleo com taxas e investindo as receitas dos tributos em ações que reparem as consequências negativas. Governos que consideram essa possibilidade têm a oportunidade de aumentar suas receitas tributárias oriundas de produtos como gasolina e diesel, e, portanto, de desonerar outros setores ou produtos que gerem bem-estar para a população. Além disso, alguns benefícios de políticas dessa natureza são intagíveis. A humanização das cidades, gerada pela diminuição das frotas de automóveis, é um exemplo de reflexo imensurável dessas medidas.</p>
<p>A eficácia das soluções pigouvianas, depende, no entanto, do bom funcionamento da máquina pública. Ao adotá-las, o Estado amplia seu papel na gestão dos recursos, e precisa garantir um nível satisfatório de eficiência. É verdade que o Brasil não apresenta um grande desempenho na gestão das finanças públicas e do ambiente institucional, mas há indícios de melhora que permitem alguma ousadia na formulação de políticas públicas sustentáveis. De qualquer maneira, é melhor perder um pouco por ser ineficiente do que caminhar na direção errada.</p>
<p>Em pleno século XXI, algumas ações de governantes brasileiros ainda contêm traços daquilo que podemos denominar <em>solução Fusca</em>, em uma referência à famosa política pública de incentivo à produção e à aquisição de automóveis que empurrou a economia alemã pouco antes da Segunda Guerra. Desde então, aquele país aprendeu muitas lições e passou a liderar, internacionalmente, a inovação para a sustentabilidade, inclusive no domínio governamental, como mostra o <a href="http://twitter.com/eiesf">Iochpe</a>.</p>
<p>O Rio Grande do Sul acaba de firmar um <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&#038;local=1&#038;newsID=a2581032.xml&#038;channel=13&#038;tipo=1&#038;section=Geral">acordo</a> com a General Motors que prevê um prazo de 10 anos para o início do pagamento de 75% do ICMS gerado pela ampliação da unidade da empresa no estado. A GM ainda terá 12 anos, após o início dos pagamentos, para quitar a dívida. Sem juros! Isso significa uma tomada de riscos e uma renúncia fiscal gigantesca em favor de supostos benefícios econômicos gerados por uma multinacional que está em processo de reestruturação (após ter de pedir concordata) em seu país de origem. O projeto ainda <a href="http://jcrs.uol.com.br/jc/site/noticia.php?codn=3836">conta com financiamentos do BNDES e do Banrisul</a>, que garantiram condições contratuais extremamente favoráveis à corporação.</p>
<p>Além de investir em um modelo de negócio e de desenvolvimento econômico completamente ultrapassado, o governo do Rio Grande do Sul passa a ter de lidar com um conflito de interesses evidente. Já que pretendem receber, algum dia, os pagamentos da dívida que assumiram com a multinacional americana, o governo e os bancos estatais perdem a disposição a investir em transporte público, urbanismo sustentável e trens intermunicipais. O ideal agora é que cada gaúcho tenha de comprar um automóvel para contribuir com o sucesso da fábrica, que, ao que se sabe, não deve montar veículos elétricos ou energeticamente eficientes.</p>
<p>É andar na contramão. O que se espera de um governo comprometido com a sustentabilidade é uma política clara de incentivo à substituição dos carros por outros meios de locomoção compatíveis com a realidade do planeta e das cidades. Os impostos são uma maneira de expressar essa escolha. Na União Européia, <a href="http://ec.europa.eu/taxation_customs/taxation/other_taxes/passenger_car/index_en.htm">propostas atuais</a> para uma legislação comunitária relativa à tributação dos automóveis levam fatores ambientais bastante a sério.</p>
<p><em>Aviso: o conteúdo desse artigo não reflete a posição das instituições com as quais o autor está ou esteve vinculado. Nenhuma informação diretamente relacionada com a atuação dessas instituições é divulgada pelo site.</em></p>
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