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	<title>Olhos de Sustentabilidade</title>
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	<description>por Igor Oliveira</description>
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		<title>Em busca de uma cidadania genuína</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 06:16:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Índice de Democracia, divulgado pela revista The Economist em 2010, aponta que o Brasil possui um ótimo desempenho no que diz respeito ao processo eleitoral e pluralismo (9,58 sobre 10) e em termos de liberdades civis (9,12). No quesito funcionamento do governo, a avaliação cai para 7,50. Ainda mais problemática é a situação da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Índice de Democracia, divulgado pela revista The Economist em 2010, aponta que o Brasil possui um ótimo desempenho no que diz respeito ao processo eleitoral e pluralismo (9,58 sobre 10) e em termos de liberdades civis (9,12). No quesito funcionamento do governo, a avaliação cai para 7,50. Ainda mais problemática é a situação da participação política (5,00) e da cultura política (4,38) no País. No ranking geral, o Brasil aparece na quadragésima sétima posição, atrás de países como Trinidad &amp; Tobago, Jamaica, Timor Leste e Botsuana.</p>
<p><span id="more-288"></span></p>
<p>O fato de possuirmos um sistema de voto bem estruturado não garante a confiança da população nas instituições nem a satisfação dos eleitores com os governos. Os baixos níveis de cultura política no País refletem uma desconfiança generalizada na política como forma de transformação da sociedade e uma descrença absoluta em seus representantes e nos partidos.</p>
<p>O descompromisso da população com o que é público torna-se um empecilho para os governos locais, que procuram abandonar a posição de únicos responsáveis pelo bem-estar nas cidades. Esses governos empreendem esforços no sentido de compartilhar responsabilidades com outros atores, inclusive com a sociedade civil, de maneira geral.</p>
<p>Estabelecem, então, mecanismos de governança que acabam por esbarrar na falta de ímpeto político da população. Esses espaços de governança são, frequentemente, ocupados por indivíduos cuja aspiração é partidária ou econômica. São, normalmente, palco de um comportamento político e de um fisiologismo típicos.</p>
<p>Uma das razões para o fenômeno da apropriação dos mecanismos de governança por parte de agentes com interesses particulares é a presença de elevados custos de transação aos participantes desses mecanismos.</p>
<p>Reuniões de Conselhos Municipais, Orçamentos Participativos e afins requerem disponibilidade de quantidades de tempo inviáveis ao trabalhador mediano que deseje tomar uma responsabilidade como cidadão politicamente ativo por razões de caráter mais altruísta. Frequentemente, são necessárias articulações políticas para acessar um assento em um mecanismo de participação civil.</p>
<p>Faz-se necessário um mecanismo de participação popular simples e acessível. Um mecanismo que promova uma reflexão genuína a respeito do presente e do futuro da cidade e que permita ao cidadão médio desempenhar seu papel político sem despender esforços desproporcionais.</p>
<p>Convoco a quem quiser ajudar a construir esse mecanismo a se juntar ao <a href="http://blog.poacomovamos.org/">Porto Alegre Como Vamos</a>.</p>
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		<title>Dois anos depois, perguntam: o que é sustentabilidade?</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 21:18:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Civilização]]></category>
		<category><![CDATA[Net Impact]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto inaugural deste blog foi uma tentativa minha de definir a palavra &#8220;sustentabilidade&#8221;. Nele, eu quis mostrar que há &#8211; e sempre haverá &#8211; uma infinita pluralidade de olhares acerca desse tema. Dois anos depois, tive a honra de deixar meu depoimento sobre &#8216;o que é sustentabilidade&#8217; para o site do START &#8211; Seminário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://igoroliveira.com/2009/07/15/o-que-e-sustentabilidade-afinal/">texto inaugural</a> deste blog foi uma tentativa minha de definir a palavra &#8220;sustentabilidade&#8221;. Nele, eu quis mostrar que há &#8211; e sempre haverá &#8211; uma infinita pluralidade de olhares acerca desse tema.</p>
<p>Dois anos depois, tive a honra de deixar meu depoimento sobre &#8216;o que é sustentabilidade&#8217; para o site do START &#8211; Seminário de Sustentabilidade, evento organizado pela organização que fundei, Net Impact Porto Alegre e pela Câmara Americana de Comércio. O resultado pode ser visto <a href=" http://start.netimpactpoa.org/as-diferentes-visoes-da-sustentabilidade-2">aqui</a>.</p>
<p>O certo é que esse vocábulo tem-se tornado, cada vez mais, vazio. Nas mãos de publicitários, vendedores e governantes irresponsáveis &#8211; praticantes do chamado <em>greenwashing</em> &#8211; qualquer palavra perde o sentido.</p>
<p>Apesar de tudo, ainda estou convicto de que é muito importante pensar e debater sustentabilidade, como um valor para qualquer sociedade.</p>
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		<title>Os erros de Muhammad Yunus</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 20:05:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Amartya Sen]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Muhammad Yunus]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem toma para si a responsabilidade de questionar o status quo torna-se, inevitavelmente, um agente político. Ao desafiar, com o fruto de seu próprio trabalho, autoridades de seu país, Muhammad Yunus correu, bravamente, o risco de perder algumas batalhas. Como aquela que o levou a sair do controle do banco que criara décadas atrás, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem toma para si a responsabilidade de questionar o <em>status quo </em>torna-se, inevitavelmente, um agente político. Ao desafiar, com o fruto de seu próprio trabalho, autoridades de seu país, Muhammad Yunus correu, bravamente, o risco de perder algumas batalhas. Como aquela que o levou a <a href="http://www.nytimes.com/2011/03/03/world/asia/03yunus.html?_r=1">sair do controle do banco</a> que criara décadas atrás, o <a href="http://www.grameen.com/">Grameen Bank</a>.</p>
<p>Mas esse não é um erro de Yunus que mereça, <em>a priori</em>, qualquer repreensão. Trata-se da beleza da Política. O que quero, aqui, é comentar aqueles que considero dois erros &#8211; conceituais &#8211; presentes em seu livro <a href="http://avaxhome.ws/ebooks/economics_finances/Creating_World_Without_Poverty.html">&#8220;Creating a World Without Poverty&#8221;</a>.</p>
<p><span id="more-270"></span></p>
<p><em>1) Somente pode ser considerado um negócio social a empresa que reinveste todo o seu lucro na atividade-fim, ou seja, a empresa que não distribui dividendos.</em></p>
<p>Ao fazer essa afirmativa, Yunus equipara as pessoas que investem em negócios sociais a filantropos. O banqueiro dos pobres, como é chamado, somente admite o repagamento &#8211; sem juro &#8211; do capital investido em um negócio social.</p>
<p>Imaginemos alguém que, no Brasil, resolve investir em um negócio social seguindo tal pressuposto. Aqui temos um governo que paga, atualmente, 12% ao ano em  juros a quem resolve comprar um pedaço de sua dívida (a chamada taxa SELIC). O capitalista que investe em um negócio social e recupera o mesmo montante ao final de um ano está, na verdade, perdendo 12% desse dinheiro. Isso sem contar outras possibilidades de investimento.</p>
<p>Ou seja, esse indivíduo estaria DOANDO 12% do que &#8220;investiu&#8221; em um negócio social. Trata-se, na verdade, de uma forma (um pouco mais inteligente, é verdade) de praticar a boa e velha filantropia.</p>
<p>Essa prática, não rompe, no entanto, com a velha lógica do filantropo, que pode ser resumida em uma frase: fazer o bem custa dinheiro. E que desconsidera a possibilidade de alguém trabalhar em tempo integral pelo bem comum, e de ser remunerado por isso.</p>
<p><em>2) Existem dois tipos de negócios sociais: os que não distribuem dividendos e os que distribuem dividendos a acionistas pobres.</em></p>
<p><em> </em> Yunus abre uma exceção aos pobres, que estariam autorizados a chamar de negócio social suas atividades que visam ao lucro, já que enriqueceriam com elas e, com isso, ajudariam a acabar com a pobreza.</p>
<p>Pois &#8220;pobreza&#8221; é um vocábulo problemático por natureza.</p>
<p>Quem tem o direito de classificar um ou outro indivíduo como &#8220;pobre&#8221; ou &#8220;rico&#8221;? Existe o &#8220;não-pobre&#8221;?</p>
<p>Essa é uma discussão naturalmente resolvida na obra de Amartya Sen, especialmente em <a href="http://avaxhome.ws/ebooks/1594670.html">Development as Freedom</a>. O importante, afirma Sen, é entender as diferentes liberdades (políticas, educacionais, sociais, culturais, alimentares, de consumo, de expressão) às quais nós, seres humanos, deveríamos ter acesso. A pobreza pode ser pobreza de muitas coisas diferentes.</p>
<p>É provável que Yunus, homem de grandes realizações, tenha resolvido restringir seu conceito de Negócio Social para evitar seu uso indevido, sobretudo por parte da agenda corporativa. Esse é, de fato, um esforço importante. As apropriações indevidas são um hábito das grandes burocracias. O banqueiro dos pobres é um personagem dos mais incríveis, que conseguiu difundir suas ideias como poucos. Faço essas pequenas ressalvas para que possamos evoluir ainda mais.</p>
<p>Para terminar, lanço um desafio: que consigamos pensar em uma forma de fazer negócios que siga os pressupostos de Amartya Sen. Alguém aceita?</p>
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		<title>Prepare-se: o Open Source vai mudar o ritmo da inovação social!</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 22:57:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Inovação]]></category>
		<category><![CDATA[inovação social]]></category>
		<category><![CDATA[open source]]></category>
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		<description><![CDATA[O acompanhamento mais usual para a palavra social são vocábulos como desigualdade, problema, assistência e outras expressões que compõem a agenda negativa do social. Em um mundo tão injusto, nada mais natural do que nos preocuparmos com as enormes distâncias que separam os bem e os mal nascidos, os bem e os maleducados, os bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O acompanhamento mais usual para a palavra <em>social</em> são vocábulos como <em>desigualdade</em>, <em>problema</em>, <em>assistência</em> e outras expressões que compõem a agenda negativa do <em>social</em>. Em um mundo tão injusto, nada mais natural do que nos preocuparmos com as enormes distâncias que separam os bem e os mal nascidos, os bem e os maleducados, os bem e os malnutridos.</p>
<p><span id="more-251"></span></p>
<p>Existe, no entanto, uma agenda positiva do <em>social</em>. São numerosos os exemplos que temos de revolução social, transformação social, tecnologia social.</p>
<p>Tomemos agora a palavra <em>inovação</em>. Quem são os maiores usuários desse verbete? Os gigantes do mundo empresarial, os desenvolvedores e financiadores de novas tecnologias que vêm para sacudir a poeira e nos encher de iPhones e outras quinquilharias.</p>
<p>Mas um outro cenário de inovação, criado longe dos domínios da propriedade intelectual e dos grandes conglomerados de empresas, começa a ganhar força. O mundo do <em>open source</em>, expressão consolidada na Tecnologia da Informação, e que agora invade rapidamente outros domínios do conhecimento e do consumo.</p>
<p>E o que acontece quando pensamos em inovação social Open Source?</p>
<p>Surge o projeto <a href="http://www.os-house.org">Open Source House</a>, que pretende fornecer casas melhores e mais sustentáveis para habitantes de países em desenvolvimento. Tudo concebido e executado por meio de uma plataforma de criação totalmente aberta e livre.</p>
<p>Aparece um <a href="http://www.ted.com/talks/marcin_jakubowski.html">polonês</a> que quer abrir os projetos das 50 máquinas que sustentam a civilização contemporânea.</p>
<p>Se aprendermos a somar Inovação + Social + Open Source, as coisas vão mudar mais rápido.</p>
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		<title>Massa Crítica em Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2010 02:26:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bicicleta]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilidade Urbana]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhando o movimento mundial pró-bicicleta chamado Massa Crítica, dezenas de ciclistas se encontram em Porto Alegre (veja o blog) toda a última sexta-feira do mês para protestar por uma cidade mais amigável para o uso da bicicleta e para divulgar esse meio de transporte saudável, sustentável, democrático e divertido. Tenho utilizado a bicicleta para me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acompanhando o movimento mundial pró-bicicleta chamado <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Critical_Mass">Massa Crítica</a>, dezenas de ciclistas se encontram em Porto Alegre (<a href="http://massacriticapoa.wordpress.com/">veja o blog</a>) toda a última sexta-feira do mês para protestar por uma cidade mais amigável para o uso da bicicleta e para divulgar esse meio de transporte saudável, sustentável, democrático e divertido.</p>
<p><span id="more-236"></span></p>
<p>Tenho utilizado a bicicleta para me locomover na cidade sempre que possível.  Participei das últimas duas edições da Massa em Porto Alegre. E só entende o movimento quem participa. A Massa Crítica de Porto Alegre propõe uma solução de vanguarda para o problema da (i)mobilidade urbana de uma cidade de 1,5 milhão de habitantes que experimenta o caminho da total degradação de seus espaços coletivos. E participar de uma transformação cultural dessa natureza não tem preço.  <img class="alignnone size-full wp-image-237" title="massa-critica-poster" src="http://igoroliveira.com/wp-content/uploads/2010/09/massa-critica-poster.jpg" alt="massa-critica-poster" width="640" height="907" /></p>
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		<title>Mudando uma Escola</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 18:47:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Apresento aqui algumas das minhas iniciativas para tentar tratar de sustentabilidade e de mudança social na Escola de Administração da UFRGS, minha universidade brasileira. Gostaria muito que as ações abaixo pudessem ser aplicadas por outros estudantes que, como eu, creem na grande importância desses temas. 1) Promover o debate: a primeira coisa que tratei de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apresento aqui algumas das minhas iniciativas para tentar tratar de sustentabilidade e de mudança social na <a href="http://www.ea.ufrgs.br/">Escola de Administração</a> da <a href="http://www.ufrgs.br/">UFRGS</a>, minha universidade brasileira. Gostaria muito que as ações abaixo pudessem ser aplicadas por outros estudantes que, como eu, creem na grande importância desses temas.</p>
<p><span id="more-202"></span></p>
<p><strong>1) Promover o debate:</strong> a primeira coisa que tratei de fazer ao voltar para a universidade foi unir forças com o <a href="http://twitter.com/caeaufrgs">Centro Acadêmico</a> local e organizar um debate sobre a formação proporcionada pela Escola de Administração. Convidei estudantes de diversas etapas do curso, ex-alunos, professores, funcionários e empresários para mediar grupos que debateram a importância da inclusão de temas como empreendedorismo, desenvolvimento sustentável e inovação social no currículo do curso. Questões como o papel dos diplomados na sociedade e a interação das atividades de ensino com a realidade foram abordadas com boa profundidade. As ideias que resultaram do debate foram apresentadas à diretoria da Escola.</p>
<p><strong>2) Abordar a sustentabilidade sempre que houver uma chance:</strong> sempre que é proposto um trabalho com temática livre (ou quase livre) nas disciplinas que curso, escolho um tema relacionado à sustentabilidade. Em uma disciplina de Administração de Marketing, fiz uma apresentação sobre <em><a href="http://stopgreenwash.org/">greenwash</a></em> que foi um sucesso! Realizei, junto com meu amigo (e colega de <a href="http://enerbio-rs.com.br/">Enerbio Consultoria</a>) <a href="http://br.linkedin.com/in/brunoperoni">Bruno Peroni</a>, uma palestra sobre oportunidades de trabalho na área de sustentabilidade.<br />
<strong><br />
3) Fundar uma sucursal da Net Impact:</strong> Reuni um grupo de alunos com interesses similares aos meus para fundar uma sucursal da <a href="http://netimpact.org/">Net Impact</a>, uma rede internacional de estudantes e profissionais que mudam o mundo por meio dos negócios.<br />
<strong><br />
4) Escrever uma monografia:</strong> Já conversei com alguns professores a respeito do meu trabalho de conclusão de curso, que deverá ser apresentado na metade do ano que vem. Pretendo ligar finanças sustentáveis e políticas públicas para a sustentabilidade em um texto inovador. Espero que dê certo.</p>
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		<title>De volta a Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 16:37:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cheguei ao Brasil há alguns dias, e gostaria de descrever algumas das impressões que tenho da cidade de Porto Alegre, onde voltei a viver após 13 meses na Europa. A força da cultura do consumo: é notável o desenvolvimento recente dos estabelecimentos comerciais da cidade, que estão mais atentos a nichos e tendências. Tomando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cheguei ao Brasil há alguns dias, e gostaria de descrever algumas das impressões que tenho da cidade de Porto Alegre, onde voltei a viver após 13 meses na Europa.</p>
<p><span id="more-185"></span></p>
<p><strong>A força da cultura do consumo:</strong> é notável o desenvolvimento recente dos estabelecimentos comerciais da cidade, que estão mais atentos a nichos e tendências. Tomando o exemplo dos bares, há uma galopante oferta de locais que oferecem produtos de <em>butique</em>, como cervejas <em>premium</em>. Além disso, foi inaugurado um novo e enorme shopping center na parte sul da cidade, antes uma região mais tranquila. Parece-me, pelas conversas, que as pessoas estão preocupadas em pertencer a categorias sociais aptas a aproveitar esse crescimento do oferecimento de novos e melhores produtos e serviços. Esquecem, talvez, as outras dimensões da vida.<br />
Creio na efemeridade desse fetichismo. Quando surgirem sinais mais fortes de atenuação da desigualdade social no Brasil, outras formas de manifestação individual e coletiva devem emergir.</p>
<p><strong>O desaparecimento da gentileza:</strong> o trânsito de Porto Alegre é uma expressão da avidez individualista que predomina entre os emergentes habitantes dessa metrópole. É uma tal de disputa por chegar mais rápido, ascender mais rápido, que acompanha um pragmatismo cruel nas relações entre as pessoas. Não há motivos para agradecer se nunca mais nos virmos.</p>
<p><strong>A ineficiência, apesar de tudo:</strong> todos correm, mas demoram. A cada serviço que contrato, a prestação demora o dobro.</p>
<p><strong>As sementes de boas novidades:</strong> no campo político, algumas iniciativas merecem atenção. Há um <a href="http://www.betomoesch.com.br">vereador</a> que promete disseminar cultura ambiental na cidade, um <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&#038;local=1&#038;section=Geral&#038;newsID=a2655152.xml">cerco à corrupção</a> no governo do Estado, uma <a href="http://www.novosinal.com.br/">campanha genial</a> pelo respeito às faixas de segurança, e a intensificação de movimentações da sociedade civil organizada. Estive em um <a href="http://www.marketingbusiness.com.br/poacidadecriativa/">seminário</a> intitulado &#8220;Cidade Criativa&#8221;.<br />
As artes parecem estar um pouco mais presentes. Logo tem <a href="http://www.fundacaobienal.art.br/">Bienal do Mercosul</a>.</p>
<p>Essas novas vibrações, combinadas com a florescência econômica, me fazem crer: é um bom momento para estar aqui.</p>
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		<title>Morte e vida do cool</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 21:45:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando, em 1950, Miles Davis anunciou o nascimento do cool, ninguém botou muita fé. As máquinas de ar-condicionado da época ainda eram grandes e barulhentas. Mas a indústria cresceu sem limites, gerando empregos e desenvolvimento. Todos queriam ficar no fresquinho. De repente, veio a crise do CFC. Disseram que estávamos destruindo a tal da camada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando, em 1950, Miles Davis anunciou o nascimento do <em>cool</em>, ninguém botou muita fé. As máquinas de ar-condicionado da época ainda eram grandes e barulhentas.</p>
<p><span id="more-125"></span></p>
<p><img src="http://igoroliveira.com/img/birthofthecool.jpg" alt="Birth of The Cool (Capital Records)" /></p>
<p>Mas a indústria cresceu sem limites, gerando empregos e desenvolvimento. Todos queriam ficar no fresquinho.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/toestubber/3014385351/"><img src="http://igoroliveira.com/img/lotsofairs.jpg" alt="Lots of Airs" width="500" height="402" /></a><p class="wp-caption-text">the_toe_stubber - CC BY 2.0</p></div>
<p>De repente, veio a crise do CFC. Disseram que estávamos destruindo a tal da camada de ozônio, e que isso poderia queimar nossas peles. Como todo mundo gosta de uma prainha de vez em quando, tivemos que encontrar <a href="http://www.usgbc.org/Docs/LEED_tsac/Energy/TRANE-CFC%20Free.pdf">soluções tecnológicas</a> para o problema.</p>
<p>Mas pouco adiantou. Vieram com o tal do aquecimento global, e agora o ar-condicionado gasta muito da energia que geramos queimando carvão e gás. Dizem que isso pode causar o derretimento das calotas polares, o desaparecimento de nações insulares, o acontecimento de tragédias naturais e outros desastres.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 610px"><a href="http://www.thedailyanchor.com/2009/01/26/ad-of-the-day-the-air-that-cools-your-home-heats-up-the-world/"><img class=" " src="http://igoroliveira.com/img/achuge.jpg" alt="AC Huge" width="600" height="415" /></a><p class="wp-caption-text">thedailyanchor.com</p></div>
<p>De uma hora para outra, ficar no fresquinho deixou de ser <em>cool</em>. Tudo isso porque nem todo mundo pode ter um ar-condicionado.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/qnr/3248096311/"><img src="http://igoroliveira.com/img/oldair.jpg" alt="Old air conditioners" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">qnr - CC BY-SA 2.0</p></div>
<p>Paramos de fumar porque deixou de ser <em>cool</em>. <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/vialli/?title=o_carro_sera_o_novo_cigarro&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">Paramos de dirigir</a> porque deixou de ser <em>cool</em>. Até onde vai essa moda?</p>
<p><img src="http://igoroliveira.com/img/cig.jpg" alt="Cigarettes" /></p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 338px"><a href="http://panoptico.wordpress.com"><img class=" " title="teste" src="http://igoroliveira.com/img/moto2.jpg" alt="Moto" width="328" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">panoptico.wordpress.com</p></div>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://apocalipsemotorizado.net"><img class=" " src="http://igoroliveira.com/img/radar.jpg" alt="Car" width="500" height="313" /></a><p class="wp-caption-text">apocalipsemotorizado.net</p></div>
<p><a href="http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/8931">Nossos pulmões continuam mal</a>, e vamos agora ter que passar calor? Que a <a href="http://www.treehugger.com/files/2008/07/the-rebirth-of-cool.php">tecnologia</a> e os <a href="http://www.treehugger.com/files/2008/08/air-conditioning-and-politics.php">políticos</a> resolvam logo nossos problemas!</p>
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		<title>Mudança climática e informação</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 21:10:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[Informação]]></category>
		<category><![CDATA[IPCC]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>

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		<description><![CDATA[As mudanças climáticas que enfrentamos são causadas pela ação humana? Se sim, em qual medida? Ao contrário de muitos supostos promotores da sustentabilidade, julgo essas perguntas importantes para a compreensão do sistema em que vivemos e para a definição de medidas adaptativas e corretivas. Nem todo problema ambiental pelo qual o planeta passa é causado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As mudanças climáticas que enfrentamos são causadas pela ação humana? Se sim, em qual medida? Ao contrário de muitos supostos promotores da sustentabilidade, julgo essas perguntas importantes para a compreensão do sistema em que vivemos e para a definição de medidas adaptativas e corretivas.</p>
<p><span id="more-108"></span></p>
<p>Nem todo problema ambiental pelo qual o planeta passa é causado pelo aquecimento global e por seus desdobramentos. A questão central é, e continuará sendo, o uso e a distribuição dos recursos naturais finitos e de outras formas de capital. Um segundo aspecto que merece nossa atenção é o impacto dos subprodutos das atividades humanas no meio ambiente. A mudança climática, que é parte da segunda questão, traz, no entanto, os maiores questionamentos nos campos moral, cultural e econômico. Grandes decisões agora incorporam a variável do impacto climático, especialmente no que diz respeito à mensuração de emissões. </p>
<p>O acesso da maioria dos terráqueos (e mesmo dos tomadores de decisão) a fontes primárias de conhecimento é restrito. É verdade que, em outros tempos, isso acontecia exclusivamente devido à escassez de informação, mas o problema, para muitos de nós, mudou. Quem tem acesso à Internet e aos outros meios contemporâneos de instrução dá-se conta de que está mergulhado no excesso de letras. E filtrá-las está cada vez mais difícil. Alguém aí já parou para ler os documentos do <a href="http://www.ipcc.ch/">IPCC</a> (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas), do <em>velho</em> <a href="http://www.clubofrome.org/">Clube de Roma</a>, ou o <a href="http://www.occ.gov.uk/activities/stern.htm">Relatório Stern</a>? Ou os críticos, os céticos como <a href="http://www.lomborg.com/">Bjorn Lomborg</a>? Por que não? </p>
<p>Grande parte da crítica à hipótese da relação causal entre mudança climática e ação humana é fundamentada pela conotação política dos trabalhos do <a href="http://www.ipcc.ch/">IPCC</a>, que, ao longo dos anos, falhou em livrar-se dessa imagem. Há, e não se pode deixar de admitir, uma influência política na definição da agenda daquele painel da ONU. Também houve, contudo, um reconhecimento da comunidade científica internacional (excluindo-se os <a href="http://www.guardian.co.uk/environment/2006/sep/20/oilandpetrol.business">patrocinados pela indústria do petróleo</a>), que hoje expressa um consenso: seres humanos impactam o clima, e o farão cada vez mais. A <a href="http://royalsociety.org/">Royal Society</a>, por exemplo, expressa sua preocupação com a desinformação e rebate os principais argumentos dos céticos em uma <a href="http://royalsociety.org/page.asp?id=6229.">página na rede</a>.</p>
<p>A ciência é a própria expressão da concretude, da razão e da não-ignorância. Por isso, colocar em dúvida um consenso da comunidade científica é mais difícil do que questionar a intenção de atores da política internacional. Os dois lados são interessantes, e não desencorajo quem quiser estudar filosofia da ciência, mas a questão, nesse caso, é outra e mais profunda.</p>
<p>No campo dos fatos, especialistas como <a href="http://www.youtube.com/watch?v=RlrMfkEutHo">Jean-Marc Jancovici</a> destacam a explosão populacional e do uso de recursos energéticos que aconteceu na mais recente pequena fatia da história da humanidade. Combinados com desigualdade social e mudança climática, esses fatores geram a desgraça de refugiados ambientais, de novos habitantes de cidades e de pequenos agricultores que vêem suas safras encolherem. Grande parte da população mundial sente na pele as consequências do aquecimento global, da diminuição dos volumes de chuvas e geleiras e da alcalinização das águas. Isso já é suficiente para que tentemos diminuir nossa parcela de responsabilidade pelas mudanças climáticas.</p>
<p><em>Aviso: o conteúdo desse artigo não reflete a posição das instituições com as quais o autor está ou esteve vinculado. Nenhuma informação diretamente relacionada com a atuação dessas instituições é divulgada pelo site.</em></p>
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		<title>O carro e a taxa</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 01:52:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Igor Oliveira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bancos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Carros]]></category>
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		<category><![CDATA[Governo]]></category>
		<category><![CDATA[Lester Brown]]></category>
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		<description><![CDATA[O Iochpe perguntou, comentando o texto anterior, se uma realocação tributária sustentável funcionaria no Brasil. Citou o exemplo alemão presente no Plano B, de Lester Brown: um corte nos tributos trabalhistas compensado por um aumento na carga tributária das tarifas energéticas. Genial, diz ele. Respondo que a política tributária é mesmo um instrumento poderoso de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://twitter.com/eiesf">Iochpe</a> perguntou, comentando o texto anterior, se uma realocação tributária <em>sustentável</em> funcionaria no Brasil. Citou o exemplo alemão presente no <a href="http://www.earth-policy.org/Books/PB3/index.htm">Plano B</a>, de Lester Brown: um corte nos tributos trabalhistas compensado por um aumento na carga tributária das tarifas energéticas. Genial, diz ele.<br />
Respondo que a política tributária é mesmo um instrumento poderoso de promoção da sustentabilidade, que pode funcionar em qualquer país, se respeitadas as devidas particularidades. Aproveito para observar alguns exemplos de ações nesse campo, especialmente no que diz respeito a automóveis.</p>
<p><span id="more-76"></span></p>
<p>As chamadas soluções pigouvianas são um instrumento de correção de falhas de mercado relacionadas à não-incorporação de externalidades ao preço dos bens. Quando abastece seu automóvel, o consumidor não paga por todos os custos socioambientais gerados pela produção do combustível. Como <a href="http://www.earth-policy.org/Books/PB3/PB3ch1_ss2.htm">sublinha o próprio Lester Brown</a>, os custos das mudanças climáticas não estão inclusos nos preços dos combustíveis fósseis, o que incentiva pessoas e organizações do mundo todo a utilizar massivamente tais produtos.<br />
O papel do Estado é corrigir essa disfunção, carregando os derivados do petróleo com taxas e investindo as receitas dos tributos em ações que reparem as consequências negativas. Governos que consideram essa possibilidade têm a oportunidade de aumentar suas receitas tributárias oriundas de produtos como gasolina e diesel, e, portanto, de desonerar outros setores ou produtos que gerem bem-estar para a população. Além disso, alguns benefícios de políticas dessa natureza são intagíveis. A humanização das cidades, gerada pela diminuição das frotas de automóveis, é um exemplo de reflexo imensurável dessas medidas.</p>
<p>A eficácia das soluções pigouvianas, depende, no entanto, do bom funcionamento da máquina pública. Ao adotá-las, o Estado amplia seu papel na gestão dos recursos, e precisa garantir um nível satisfatório de eficiência. É verdade que o Brasil não apresenta um grande desempenho na gestão das finanças públicas e do ambiente institucional, mas há indícios de melhora que permitem alguma ousadia na formulação de políticas públicas sustentáveis. De qualquer maneira, é melhor perder um pouco por ser ineficiente do que caminhar na direção errada.</p>
<p>Em pleno século XXI, algumas ações de governantes brasileiros ainda contêm traços daquilo que podemos denominar <em>solução Fusca</em>, em uma referência à famosa política pública de incentivo à produção e à aquisição de automóveis que empurrou a economia alemã pouco antes da Segunda Guerra. Desde então, aquele país aprendeu muitas lições e passou a liderar, internacionalmente, a inovação para a sustentabilidade, inclusive no domínio governamental, como mostra o <a href="http://twitter.com/eiesf">Iochpe</a>.</p>
<p>O Rio Grande do Sul acaba de firmar um <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&#038;local=1&#038;newsID=a2581032.xml&#038;channel=13&#038;tipo=1&#038;section=Geral">acordo</a> com a General Motors que prevê um prazo de 10 anos para o início do pagamento de 75% do ICMS gerado pela ampliação da unidade da empresa no estado. A GM ainda terá 12 anos, após o início dos pagamentos, para quitar a dívida. Sem juros! Isso significa uma tomada de riscos e uma renúncia fiscal gigantesca em favor de supostos benefícios econômicos gerados por uma multinacional que está em processo de reestruturação (após ter de pedir concordata) em seu país de origem. O projeto ainda <a href="http://jcrs.uol.com.br/jc/site/noticia.php?codn=3836">conta com financiamentos do BNDES e do Banrisul</a>, que garantiram condições contratuais extremamente favoráveis à corporação.</p>
<p>Além de investir em um modelo de negócio e de desenvolvimento econômico completamente ultrapassado, o governo do Rio Grande do Sul passa a ter de lidar com um conflito de interesses evidente. Já que pretendem receber, algum dia, os pagamentos da dívida que assumiram com a multinacional americana, o governo e os bancos estatais perdem a disposição a investir em transporte público, urbanismo sustentável e trens intermunicipais. O ideal agora é que cada gaúcho tenha de comprar um automóvel para contribuir com o sucesso da fábrica, que, ao que se sabe, não deve montar veículos elétricos ou energeticamente eficientes.</p>
<p>É andar na contramão. O que se espera de um governo comprometido com a sustentabilidade é uma política clara de incentivo à substituição dos carros por outros meios de locomoção compatíveis com a realidade do planeta e das cidades. Os impostos são uma maneira de expressar essa escolha. Na União Européia, <a href="http://ec.europa.eu/taxation_customs/taxation/other_taxes/passenger_car/index_en.htm">propostas atuais</a> para uma legislação comunitária relativa à tributação dos automóveis levam fatores ambientais bastante a sério.</p>
<p><em>Aviso: o conteúdo desse artigo não reflete a posição das instituições com as quais o autor está ou esteve vinculado. Nenhuma informação diretamente relacionada com a atuação dessas instituições é divulgada pelo site.</em></p>
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