Cheguei ao Brasil há alguns dias, e gostaria de descrever algumas das impressões que tenho da cidade de Porto Alegre, onde voltei a viver após 13 meses na Europa.
A força da cultura do consumo: é notável o desenvolvimento recente dos estabelecimentos comerciais da cidade, que estão mais atentos a nichos e tendências. Tomando o exemplo dos bares, há uma galopante oferta de locais que oferecem produtos de butique, como cervejas premium. Além disso, foi inaugurado um novo e enorme shopping center na parte sul da cidade, antes uma região mais tranquila. Parece-me, pelas conversas, que as pessoas estão preocupadas em pertencer a categorias sociais aptas a aproveitar esse crescimento do oferecimento de novos e melhores produtos e serviços. Esquecem, talvez, as outras dimensões da vida.
Creio na efemeridade desse fetichismo. Quando surgirem sinais mais fortes de atenuação da desigualdade social no Brasil, outras formas de manifestação individual e coletiva devem emergir.
O desaparecimento da gentileza: o trânsito de Porto Alegre é uma expressão da avidez individualista que predomina entre os emergentes habitantes dessa metrópole. É uma tal de disputa por chegar mais rápido, ascender mais rápido, que acompanha um pragmatismo cruel nas relações entre as pessoas. Não há motivos para agradecer se nunca mais nos virmos.
A ineficiência, apesar de tudo: todos correm, mas demoram. A cada serviço que contrato, a prestação demora o dobro.
As sementes de boas novidades: no campo político, algumas iniciativas merecem atenção. Há um vereador que promete disseminar cultura ambiental na cidade, um cerco à corrupção no governo do Estado, uma campanha genial pelo respeito às faixas de segurança, e a intensificação de movimentações da sociedade civil organizada. Estive em um seminário intitulado “Cidade Criativa”.
As artes parecem estar um pouco mais presentes. Logo tem Bienal do Mercosul.
Essas novas vibrações, combinadas com a florescência econômica, me fazem crer: é um bom momento para estar aqui.
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Essa campanha da mãozinha talvez seja difícil de se implementar, mas de fato, é algo que pode ajudar os pedestres. Embora ficar parando pra pedestre, pra quem reclama do trânsito, achará que essa medida só tende a piorar as coisas.
O fora Yeda ai é mais um movimento, novamente, daqueles que não têm o que fazer. Se ela roubou, realmente, está errada, mas o que ela está fazendo, saneando as contas públicas, é de se valorizar.
A força do consumo se dá pelo simples fato:
sabe-se lá se o indice de desigualdade da cidade está aumentando, mas o valor absoluto da renda está aumentando. Ou seja, a renda per capita cresce e isso se dá em todas as camadas da sociedade, podendo existir diferenças significativas nos montantes, mas o que vale é a melhora individual.
“O desaparecimento da gentileza” é meio estranho. Pra desaparecer ela tem que ter existido né? O trânsito aqui é dureza. Ligar o pisca-alerta ao fazer a curva pra quê?
Igor,
vocês escreve muito bem e, só por isso: o correto é iNtitulado e não “entitulado”. Deve ser porque você passou muito tempo fora do Brasil. Sorry!
E, só para que eu fizesse um exercício de humildade: o correto é você e não “vocês”. Sorry, again!
Obrigado pela visita e pela dica!
Já corrigi.
Minha impressão sobre o teu post é: isso é o resultado do choque de perspectivas, não é resultado de uma real mudança.
Acredito, ao contrário de ti, que o transito de porto alegre melhorou.
E que as tuas descobertas sobre pertencimento a categorias e busca pelo consumismo desmedido são também aspectos que contrastam com a cultura da qual tu acabaste de sair.
Ou seja, quero dizer que esse consumismo não mudou, tampouco a necessidade de pertencimento…..
Ela é mais ou menos notável de acordo com os olhos de quem observa.
Pra mim é menos notável peló hábito
Pra ti é mais notável pelo contraste
Conclusão-pergunta: realmente mudou? ou tu que não notavas isso antes?