Olhos de Sustentabilidade

por Igor Oliveira

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Mudança climática e informação

16/08/2009

As mudanças climáticas que enfrentamos são causadas pela ação humana? Se sim, em qual medida? Ao contrário de muitos supostos promotores da sustentabilidade, julgo essas perguntas importantes para a compreensão do sistema em que vivemos e para a definição de medidas adaptativas e corretivas.

Nem todo problema ambiental pelo qual o planeta passa é causado pelo aquecimento global e por seus desdobramentos. A questão central é, e continuará sendo, o uso e a distribuição dos recursos naturais finitos e de outras formas de capital. Um segundo aspecto que merece nossa atenção é o impacto dos subprodutos das atividades humanas no meio ambiente. A mudança climática, que é parte da segunda questão, traz, no entanto, os maiores questionamentos nos campos moral, cultural e econômico. Grandes decisões agora incorporam a variável do impacto climático, especialmente no que diz respeito à mensuração de emissões.

O acesso da maioria dos terráqueos (e mesmo dos tomadores de decisão) a fontes primárias de conhecimento é restrito. É verdade que, em outros tempos, isso acontecia exclusivamente devido à escassez de informação, mas o problema, para muitos de nós, mudou. Quem tem acesso à Internet e aos outros meios contemporâneos de instrução dá-se conta de que está mergulhado no excesso de letras. E filtrá-las está cada vez mais difícil. Alguém aí já parou para ler os documentos do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas), do velho Clube de Roma, ou o Relatório Stern? Ou os críticos, os céticos como Bjorn Lomborg? Por que não?

Grande parte da crítica à hipótese da relação causal entre mudança climática e ação humana é fundamentada pela conotação política dos trabalhos do IPCC, que, ao longo dos anos, falhou em livrar-se dessa imagem. Há, e não se pode deixar de admitir, uma influência política na definição da agenda daquele painel da ONU. Também houve, contudo, um reconhecimento da comunidade científica internacional (excluindo-se os patrocinados pela indústria do petróleo), que hoje expressa um consenso: seres humanos impactam o clima, e o farão cada vez mais. A Royal Society, por exemplo, expressa sua preocupação com a desinformação e rebate os principais argumentos dos céticos em uma página na rede.

A ciência é a própria expressão da concretude, da razão e da não-ignorância. Por isso, colocar em dúvida um consenso da comunidade científica é mais difícil do que questionar a intenção de atores da política internacional. Os dois lados são interessantes, e não desencorajo quem quiser estudar filosofia da ciência, mas a questão, nesse caso, é outra e mais profunda.

No campo dos fatos, especialistas como Jean-Marc Jancovici destacam a explosão populacional e do uso de recursos energéticos que aconteceu na mais recente pequena fatia da história da humanidade. Combinados com desigualdade social e mudança climática, esses fatores geram a desgraça de refugiados ambientais, de novos habitantes de cidades e de pequenos agricultores que vêem suas safras encolherem. Grande parte da população mundial sente na pele as consequências do aquecimento global, da diminuição dos volumes de chuvas e geleiras e da alcalinização das águas. Isso já é suficiente para que tentemos diminuir nossa parcela de responsabilidade pelas mudanças climáticas.

Aviso: o conteúdo desse artigo não reflete a posição das instituições com as quais o autor está ou esteve vinculado. Nenhuma informação diretamente relacionada com a atuação dessas instituições é divulgada pelo site.

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  • Sobre o último parágrafo, a diminuição de chuvas é exatamente o oposto do que ocorre principalmente no Brasil. Recorde atrás de recorde quebrado. Frio em Nova York maior de não sei quantos anos.

    O único lugar que quero chegar com isso é dizendo que a temperatura muda através de ciclos. Se acompanharmos a evolução da atividade solar medido através das manchas do mesmo e a temperatura na terra vemos não só uma correlação, mas relação de causalidade, ou seja, as atividades solares aumentaram antes do aumento de temperaturas. Nos gráficos (separados) supostamente bonitinhos do Al Gore temos a correlação de aumento de emissão de CO2 com aumento de temperatura, mas se colocarmos os gráficos juntos temos que a mudança de temperatura precede a emissão, ou seja, os gráficos só provam o contrário.

    Não digo que a ação humana não seja causa de muita desgraça no planeta como desmatamento, poluição nas grandes cidades e tudo mais. Só acho errado acusar sem provas concretas que somos nós os causadores dos problemas em maior escala que é o de global warming e querer restringir o desenvolvimento dos países baseado em argumentos falaciosos. Fazer com que empresas diminuam suas capacidades produtivas apenas por uma questão política.

    O video The Great Global Warming Swindle comete seus pecados mas serve de bom parâmetro pra mostrar fatos em relação a essa causa.

    Sobre o site que você deixou ali como “página na rede” eu dei uma olhada, mas não me encaixei bem, os primeiros misleading arguments eu nem argumento a favor, só no sexto que chegou ao meu ponto. Que nesse, ele diz um monte de coisa e não mostra nada. Dizer que satélites viram tal coisa é muito vago pra ser usado como argumento. É como eu dizer que devido à medição de um satélite, o aumento da atividade ao redor do estádio do Morumbi fez com que o São Paulo ganhasse os últimos jogos no Brasileirão. Não mostrei dado algum. gráfico algum. relação alguma. Só chutei.

    Aceito perfeitamente ideias contrárias às minhas (as vezes gradativamente), desde que elas tenham algum poder de convencimento, o que essa teoria da Royal Society não conseguiu.

    A Royal Society de verdade tinha Leibniz e Newton hehe