Olhos de Sustentabilidade

por Igor Oliveira

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O que é sustentabilidade, afinal?

15/07/2009

Definir a palavra “sustentabilidade” é um exercício fundamental para qualquer terráqueo que almeje contribuir com a perenização da humanidade nesse planeta. É uma proposta interessante para exercícios grupais e para reflexões individuais, que demanda, sobretudo, humildade. Não se pode proferir uma definição desse vocábulo com a intenção de fazê-la resistir ao tempo, porque o conceito evolui rapidamente. Também não é possível resistir às discussões, porque as mentes, leitoras em contextos diversos, entendem os desafios da civilização de maneiras muito distintas.

Eu gostaria, então, de apresentar as principais forças que influenciam a minha compreensão de o que é sustentabilidade.

O sentido literal
Um primeiro passo aconselhável para a reflexão é isolar a palavra. Uma coisa sustentável é algo que se mantém, que existe durante um longo período, talvez eternamente. Essa enunciação provoca, quase que automaticamente, o questionamento sobre o que é esse objeto que permanece intacto.
Alguns diriam que o planeta é que merece todo o zelo de seus habitantes, mas eu, mais modesto, acredito que estejamos falando da humanidade. Afinal, nós só existimos em uma última e pequena fração da história da Terra.

Ética
Admitindo-se que a questão é meramente humana, é natural que pensemos nas condutas individuais que levam (ou atrapalham) ao sucesso de nossa espécie. A moral encarrega-se dessa tarefa.
Um conceito particularmente importante na relação entre ética e sustentabilidade é o utilitarismo, já que a sustentabilidade humana depende do impacto das ações individuais no bem-estar (utilidade).

Desenvolvimento Sustentável
A noção de desenvolvimento sustentável é fundamental para as concepções mais recentes de condutas que visam a garantir a permanência da humanidade no planeta Terra. Cita-se, normalmente, a definição que surgiu em 1987, em um relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento:

Desenvolvimento Sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades.

Dos fóruns internacionais também vieram os três pilares do desenvolvimento sustentável: econômico, social e ambiental. A partir deles, importantes soluções puderam aparecer. A ideia de triple bottom line, ou seja, a mensuração de resultados organizacionais a partir dos três critérios fundamentais, é fruto dessa delimitação.
Eu incluiria, entre os pilares da sustentabilidade, a dimensão cultural, explorada de maneira extremamente competente em Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável, de Ignacy Sachs.

O declínio da civilização

Outro livro (este disponível na Internet) que considero extremamente importante para o desenvolvimento do conceito de sustentabilidade é o Plano B, de Lester Brown.
A primeira metade da obra trata dos grandes problemas das civilizações atuais, especialmente daqueles causados por alterações climáticas e pela escassez de recursos naturais. Um exemplo simbólico é o aumento do número de refugiados por razões ambientais, como secas, inundações e desertificações. As pressões geradas por essas problemáticas passam pelo aspecto social e chegam ao político, causado o enfraquecimento do Estado e o declínio da qualidade de vida em diversas partes do planeta.
A segunda parte do livro diz respeito às soluções para os nossos desafios. Questões como erradicação da pobreza, fomento à energia renovável e segurança alimentar são abordadas de maneira concreta e consistente.

Contribuir com essas soluções e, mais ainda, com a evolução dos paradigmas socioculturais necessária para que elas sejam postas em prática. É isso que me move. Confio, sobretudo, na riqueza do debate e na importância da evolução de todos os conceitos que apresentei. Somente assim será possível fazer emergir um cenário positivo para a humanidade, com menos guerras, tragédias e sofrimento.

Aviso: o conteúdo desse artigo não reflete a posição das instituições com as quais o autor está ou esteve vinculado. Nenhuma informação diretamente relacionada com a atuação dessas instituições é divulgada pelo site.

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3 comentário(s) até agora ↓

  • Querido, parabéns pelo novo blog, tá bem interessante =) talvez um tanto sério, mas acredito que era esse o objetivo. É sempre bom exercitar a escrita e expressar tuas ideias e opiniões a respeito de assuntos que gostas, ficou realmente muito legal!
    Beijão da Fe que te admira muito =D

  • Idéia genial (Será que daria certo no Brasil?) :” In Germany a systematic shift of taxes from labor to
    energy reduced annual CO2 emissions by 20 million
    tons and created 250,000 jobs between 1999 and
    2003″
    (Do PDF do PPT da apresentação do livro cujo Link tu colocaste no texto).

  • Na parte de Desenvolvimento Sustentável ali cabe dizer então que vale a famosa Golden Rule. Que na bíblia e na Economia têm sentidos semelhantes (um é derivado do outro). Busca-se o consumo ótimo com uma “restrição” de garantir o consumo de outras gerações.

    Tá muito bem escrito o negócio.

    Só comento algo relacionado ao desenvolvimento sustentável (também). Diria que ele deve se sustentar, ou seja, tem que ser viável, não se pode ficar ai fazendo e falando coisas absurdas que são simplesmente inaplicáveis como uns comunas fazem por ai .